KinoOikos

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18/02/2008

O CINEMA DE QUEBRADA: UMA FORMA DE PENSAR

Por: Wilq Vicente

Estou convencido que o jovem se constitui pelas suas relações, que cada vez mais são mediadas por um mundo imagético, informacional e de novas tecnologias, que lhe dá uma compreensão mais ampliada da sociedade em que vive. Até há pouco tempo, produzir e transmitir conteúdos em multimídia eram privilégios de poucos, atualmente mudou, registrar, fotografar, gravar e até editar são atividades acessíveis a todos os interessados, que ao passar dos dias atraem e seduzem um número cada vez maior de jovens, principalmente das camadas populares. Da sedução unida à busca em desmistificar a construção da imagem, nasce um novo conceito: Cinema Comunitário Jovem ou Cinema de Quebrada.

Um ponto a discutir: O que, traz de novo à tona este ânimo em relação ao ressurgimento do que podemos chamar de novas funções do vídeo? O que serve como parâmetro para uma proposta do tipo Cinema de Quebrada?

Queria destacar um outro aspecto importante da produção comunitária e está relacionada com a formação “profissional”, a maior preocupação deve ser a de oferecer a este jovem conhecimento técnico para que ele possa compreender os aspectos econômicos que envolvem a produção audiovisual, talvez seja este o aspecto mais relevante da atividade audiovisual comunitária. Segundo Pessoa (2005), abrir as portas para esta inserção significa, antes de tudo, a transmissão do conhecimento técnico global de captação e manipulação da imagem (da tomada à edição final, incluindo formas de exibição e distribuição) a meu ver princípios básicos.

O diferencial da produção feita pela comunidade está na abertura para o contato com uma realidade cotidiana, ainda desconhecida enquanto representação imagética ou narrativa. Em vez de pacientes, as pessoas envolvidas tornam-se agentes na constituição de seu imaginário.


As experiências de vídeo comunitário surgem com o desenvolvimento da tecnologia da imagem digital e as condições econômicas que “inauguram”. É sob este aspecto que inúmeras organizações não governamentais ONGS têm incorporado oficinas de técnica e de linguagem do vídeo como estratégias de formação cultural, cidadã e profissional aos jovens socialmente “excluídos”.

Com esta evolução tecnológica, surgem algumas facetas pouco exploradas pelas esferas governamentais e ainda em construção pelas instituições não governamentais (que não têm papel do poder público). O que notamos é um crescente aumento de Núcleos de Produções Audiovisuais fundados a partir de 2001, inicio das oficinas na cidade de São Paulo, foram praticamente 03 (três) núcleos formados por ex- egressos das oficinas por ano, outro ponto importante é um crescente número de projetos apoiados pela esfera pública, ou seja, desde que o Programa de Valorização da Iniciativas Culturais Juvenis – VAI - foi criado em 2004, foram contemplados 03 (três) projetos de núcleos a cada edição, ou seja, cerca de 30% por ano dos núcleos subsidiados com recursos públicos.

Mas, se por um lado, houve um significado aumento de núcleos e projetos. Há também de notar-se com isso algumas questões pertinentes. Por exemplo, para enfrentar simultaneamente os problemas dos recursos subsidiados pelo poder público que acabam em menos de 06 meses, é o caso do programa VAI. O que fazem os núcleos, outro ponto crucial para os projetos contemplados é a devolução dos equipamentos adquiridos, isto é, os núcleos ao final do projeto são obrigados, segundo critérios do edital a devolverem os equipamentos à esfera pública.


Os núcleos subsidiados pelo VAI, sempre tem este problema, um provável saída seria se tornar uma ONG ou produtora, mais, isso custa caro. Será esse o caminho a ser percorrido pelos jovens dos coletivos? No entanto, sabemos que ambas as iniciativas tanto do poder público (VAI) e das ONGS (oficinas) são tímidas e pontuais, uma vez que não estão articuladas entre si e não encontram nos núcleos possibilidades reais de parceria para continuidade dos seus projetos, ou seja, o apoio acaba é depois o que fazem, sem recursos e sem os equipamentos.

É necessário e urgente garantir políticas públicas de acesso e continuidade às novas tecnologias e aos recursos públicos, ao invés de serem só paliativas essas ações, passarem a realmente contribuir com esta juventude em especifico.

Decididamente, Cinema de Quebrada é um fato de estado do olhar: uma forma de pensar. Nunca é demais repetir.

PESSOA, Fernão. Cinema Comunitário: Alguns dos Aspectos da Produção Contemporânea. Disponível: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2005/formaçãotextos.



Wilq é uma liderança dos Fóruns Municipais de Audiovisual Comunitário Jovem e foi curador da 1ª Mostra de Cinema da Quebrada de 2005 no CCSP

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