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20 de Julho de 2010 às 09:54

Transcrição audiovisual

Autor: robertocarvalho76


É dever de todo diretor construir significados audiovisuais partindo da linguagem verbal, uma verdadeira transcrição midiática, como a feita pelos poetas concretos: partindo de informações verbais, construir signos visuais que denotem ou refletem os significados existentes dentro da semântica do roteiro. Daí estrutura-se a transcrição para a linguagem audiovisual. Um diretor que se reter como um escravo do roteiro, nunca irá construir uma obra que se aprofunde no audiovisual, pois não estará indo a lugar algum, ficando refém da linguagem verbal, consequentemente, refém do escritor e/ou roteirista. O autor tem que ter a coragem de fazer uma transcrição anagrâmica, sem isso não existe narrativa de uma perspectiva que venha da câmera, ocorrendo apenas a tradução via voz em off de uma obra literária. Para que esse transcrever midiático aconteça é necessário o domínio sintático da linguagem audiovisual, sem isso, como desenvolver uma verdadeira representação onde a narrativa é feita pela câmera? Todo esforço não irá além do crivo narrativo literário, que não tem nada a ver com a narrativa cinematográfica autônoma, vinculada a signos visuais e sonoros para compor significantes expressos na grande tela. Infelizmente o espectador médio está acostumado ao tipo de narrativa contida nos block-busters, muito próxima da narrativa literária, por conta disso, cria-se o hiato entre o "grande público" e o cinema autoral; daí a classificação generalizante entre os chamados "filmes de arte" e os "filmes de entretenimento".


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